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Editorial

21 Set 2021

Editorial Nº3

por João Carvalho,Laura Ramos

Setembro 2021

O regresso ao passado, pelo nosso futuro

O trimestre que passou desde a edição de Primavera da Cannadouro Magazine, foi uma autêntica viagem de regresso ao passado. Vejamos porquê.

No passado mês de Junho, o Bloco de Esquerda voltou a levar a discussão sobre a legalização da canábis para uso adulto à Assembleia da República, desta vez com a companhia da Iniciativa Liberal, embora claro, com abordagens e convicções diferentes. Ambos os projectos de lei baixaram à especialidade, na tentativa de encontrarem consenso para serem aprovados. Durante o debate, que demorou quase duas horas, todos os partidos intervieram, mas sem grandes variações nos argumentos e nas posições apresentadas dois anos antes, em 2019, no último debate sobre este assunto na AR: tudo na mesma, tal como no passado.
No fecho desta edição ainda não ocorreu nova discussão em plenário.

No que toca ao cânhamo, a campanha de cultivo deste ano tem sido, tal como desde 2018, um verdadeiro calvário para quem solicitou uma licença junto da DGAV (69 pedidos e apenas 22 deferimentos) e também aqui um verdadeiro regresso ao passado, concretamente a 1998.

Neste fatídico ano, a directiva comunitária relativa ao cultivo do cânhamo ainda não havia sido transposta para a lei portuguesa, o que resultou na detenção de vários agricultores de Norte a Sul de Portugal. Na altura, pelo impulso da pioneira “Cânhamo de Portugal”, tinham sido semeadas dezenas de hectares de cânhamo, que no ano seguinte não tiveram continuidade.

Ao longo deste ano têm sido várias as notícias, de iguais detenções de “canhamicultores”.

No século passado, o redespertar do cultivo de cânhamo destinava-se ao fabrico de papel semi-artesanal, que pode ser fabricado sem grandes transformações, sem a extracção da fibra de cânhamo propriamente dita. Nos dias de hoje, este aproveitamento primário da palha de cânhamo tem a eco-construção como principal destino.

Actualmente, a inércia da DGAV e a inexistência da dispendiosa maquinaria para a extracção da fibra, constituem os grandes entraves à expansão do cânhamo agro-industrial, de tal forma que uma nova luta se avizinha: a aprovação e a regulamentação do que verdadeiramente está a alavancar o cultivo de cânhamo, as flores com o tão conhecido CBD e sem o temido THC. Assim, urge regulamentar devidamente o “cânhamo terapêutico”, incluindo todo o mercado do CBD, e permitir o aproveitamento integral da planta para fins industriais.

Só esta possibilidade permitirá tornar o cultivo de cânhamo agro-industrial de pequena escala atractivo e rentável, pois o baixo preço pago pela fibra é compensado pelo maior valor das flores, das sementes e de óleos extraídos destas duas últimas partes da planta. A junção destas diferentes rentabilidades será a alavanca que, no século XXI, permitirá expandir o cultivo de cânhamo e estimular, finalmente, o aparecimento de projectos que ofereçam a maquinaria necessária à obtenção de fibras. Por fim, é absolutamente necessário e urgente que, ao invés de bloquear o cultivo de cânhamo, o governo incentive e invista com seriedade nesta cultura tão importante para a sustentabilidade e para a economia do país.

Já temos flores portuguesas, nas farmácias e nas novas lojas de canábis, mas com fibra de cânhamo português voltaremos a ter fio, tecido, cordas, papel, estopa, botões, tijolos de hempcrete, cosméticos, óleos, enfim, um sem número de produtos com o selo nacional que outrora existiu.

Apostamos num regresso ao passado, mas pela positiva!



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