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Pragas

21 Mar 2022

O Flagelo das Pragas na Canábis

, fotos por Sweet Seeds

De entre os vários problemas que podem comprometer o sucesso de um cultivo de canábis, as pragas assumem evidente destaque. Neste artigo, vamos abordar este assunto com informação acerca das diferentes pragas que ameaçam as nossas plantas, como as combater e, mais importante, como prevenir que estas se cheguem sequer a instalar. Com vista a evitar que as pragas destruam o nosso cultivo, devemos colocar em prática todas as medidas preventivas ao nosso alcance. 

 

As pragas tendem a desenvolver-se nos nossos cultivos por três razões: condições ambientais ideais para que a praga se multiplique; plantas susceptíveis ao ataque; número de indivíduos suficiente para uma reprodução em grande escala. Aquilo que normalmente entendemos como uma pequena população de pulgões, mosca branca ou aranha vermelha, pode rapidamente converter-se numa praga. Muitas vezes a simples presença de um baixo número de insectos não significa que vamos ter uma praga, mas é importante fazer os possíveis para que tal não aconteça.

 

Medidas de Prevenção

O conselho mais importante e que, ao mesmo tempo, é muito simples de colocar em prática, é o de manter um bom nível de limpeza no espaço de cultivo. Antes sequer de começar um novo cultivo, devemos proceder a uma rigorosa limpeza e higienização do espaço de cultivo, incluindo vasos, ventoinhas, extractores, filtros de carbono e as diferentes ferramentas de cultivo que costumamos utilizar durante o ciclo de vida das nossas plantas. Desta forma asseguramos, por um lado, que removemos do cenário eventuais ovos de insectos colocados durante o anterior cultivo e, por outro lado, impedimos que insectos que entrem a partir do exterior se possam alojar no nosso espaço de cultivo e passar despercebidos numa fase inicial.

 

Além do conhecido óleo de Neem, existem no mercado soluções orgânicas de fácil utilização de diferentes marcas, que podem ser aplicadas directamente nas plantas durante o período de vegetativo como forma de prevenir o desenvolvimento de pragas. Alguns canabicultores optam, inclusive, por pulverizar as paredes do espaço de cultivo com estas soluções. No caso do óleo de Neem, recomendamos uma solução de 10 ml por litro de água, utilizada semanalmente a nível foliar.

 

Para aqueles canabicultores que pensam que o seu local de cultivo é vulnerável a ataques de lagartas, quer por já terem sofrido com isso em cultivos anteriores, ou por habitualmente serem vistas traças a sobrevoar o local, aconselhamos a aplicação preventiva de Bacillus Thuringiensis, um insecticida biológico eficaz contra larvas, que deve ser aplicado nos troncos e ramos das plantas. Se não o fizermos, qualquer traça que visite o local poderá depositar os seus ovos nas plantas e, na maioria das vezes, só damos por isso quando descobrimos que as flores estão ocas no seu interior, totalmente destruídas pelas lagartas que adoram comer as flores da nossa querida planta.

 

Manter o nosso local de cultivo bem arejado, sem humidades excessivas, é outro grande trunfo na prevenção de pragas. Recomendamos também a utilização de substrato novo, em saco fechado, a cada cultivo. A preparação de substratos “caseiros” ou a reciclagem de substratos já anteriormente utilizados deve ficar para aqueles que já têm muita experiência na preparação de misturas para o cultivo de canábis. Para quem utiliza armários de cultivo, aconselhamos o especial cuidado de manter o armário tão hermeticamente fechado quanto possível, para evitar visitas indesejáveis.

 

É importante também ter em conta que, mesmo com todos os cuidados, pode sempre aparecer algum grupo de insectos no nosso cultivo. Por isso, é imprescindível inspeccionar as nossas plantas regularmente, observando com atenção a parte de baixo das folhas e os talos. Desta forma podemos identificar as pragas nos seus estádios prematuros e tomar medidas mais rapidamente e com maior eficácia.


 

Medidas de Combate

 

Quando chegamos a um ponto em que temos uma praga instalada, quer seja por falta de cuidados de prevenção, falta de atenção às plantas, ou apenas porque cultivamos num local próximo a um foco de determinado insecto, temos, ainda assim, ao nosso dispor, formas de combater a praga. Principalmente se as plantas estão na fase de vegetativo ou no início da floração, ainda com apenas alguns pistilos desenvolvidos. Após a produção massiva de pistilos e cálices, não aconselhamos a utilização de nenhum tipo de insecticida, mesmo que biológico, pois se o fizermos poderemos comprometer as qualidades organolépticas (aromas e sabores) do produto final.

 

Assim, se as plantas ainda não estão em plena floração, podemos optar por insecticidas químicos ou biológicos. Recomendamos sempre os biológicos em detrimento dos químicos, deixando estes segundos apenas para situações limite, em que não obtivemos a resposta desejada com os primeiros ou em que, por experiências anteriores, já sabemos que apenas uma resposta química poderá resolver situação. A pulverização foliar deve ser rigorosa e convém evitar que a água pingue para o substrato, cobrindo-o durante a aplicação. 

 

A nossa recomendação para um ataque biológico consiste em 15 ml de óleo de Neem e 10 ml de sabão de potássio em 1 litro de água. Ou, em alternativa, um insecticida biológico comercializado por qualquer marca de produtos para canábis. A aplicação deve ser semanal, até à erradicação dos insectos. Recomenda-se que a aplicação seja efectuada no final da fase de luz (ou ao entardecer, em cultivos de exterior), para que a solução seque mais lentamente, permanecendo pelo máximo tempo possível nas folhas das nossas plantas.

 

Em seguida, vamos falar um pouco sobre cada uma das principais pragas que afectam os cultivos de canábis, numa abordagem superficial em que, por uma questão de limitação na extensão do texto, não chegamos a enumerar formas de prevenção e combate a cada uma delas em específico. Recomendamos, no entanto, que o leitor pesquise na internet acerca de cada uma delas para complementar a informação aqui partilhada.


 

Pragas Comuns em Cultivos de Canábis

 

As nossas plantas podem ser alvo de ataque de dezenas de insectos. Destacamos aqueles que consideramos mais comuns:

 

- Aranha vermelha (ou spidermites);

- Pulgão;

- Mosca branca;

- Thrips (Thysanoptera);

- Cochonilha.

 

Além destes, existem também doenças fúngicas provocadas pelo ataque de pragas como a botrytis ou o míldio. O míldio consiste num pó esbranquiçado que surge sobre as folhas sem chegar a penetrar os tecidos. A melhor forma de lutar contra o míldio é a prevenção. Recomendamos o uso de sabão potássico ou bicarbonato potássico.

 

A botrytis ataca quando as flores ficam grossas e compactas, aparecendo em forma de mofo, tipo algodão de cor castanha. A botrytis pode destruir as flores em poucos dias. Para prevenir, podemos usar sabão potássico, mas o melhor é manter o espaço de cultivo bem arejado e com baixa humidade nas últimas semanas de floração, enquanto observamos atenta e regularmente o interior dos cabeços mais grossos.

 

Aranha Vermelha

 

Esta é uma das piores e mais comuns pragas no cultivo de canábis. Este ácaro de tamanho diminuto, que não ultrapassa 1 mm, alimenta-se da planta, debilitando-a pouco a pouco. A aranha vermelha gosta de altas temperaturas e baixos níveis de humidade. Encontram-se tendencialmente no lado posterior das folhas e deixam pequenos pontos brancos nos seus tecidos. São responsáveis por uma diminuição no rendimento do cultivo pois comprometem a capacidade da folha realizar a fotossíntese. Quando conseguem proliferar e reproduzir-se exponencialmente, podem até chegar a formar uma teia de aranha à volta das flores.


 

Pulgão

 

O pulgão apresenta-se como um pequeno insecto com entre 1 e 3 mm, com corpo de formato oval e com diferentes cores, desde tons suaves de amarelo, até negro, passando por tonalidades esverdeadas. Absorvem nutrientes e seiva da planta, debilitando-a e causando-lhe stress. Excessos de fertilização podem propiciar a sua propagação. Preferem locais quentes e secos. São bem visíveis a olho nu nas partes posteriores das folhas, principalmente na zona dos novos rebentos. Os dejectos que o pulgão deposita nas folhas e flores aumentam a probabilidade de desenvolvimento de bolores.

 

Mosca Branca

 

Apesar do nome, são insectos muito diferentes daquilo a que estamos habituados a visualizar quando pensamos no termo “mosca”. A mosca branca é um insecto voador muito pequeno, com cerca de 1 mm a 2 mm de comprimento, que gosta de altas temperaturas e altos níveis de humidade. Debilitam a planta ao picá-la para sugar seiva, podendo provocar desidratação e afectar o seu desenvolvimento. São facilmente detectáveis. Se estiverem presentes basta abanar a planta e algumas sairão voando. 


 

Thrips 

 

São pequenos insectos de cor castanha ou cinzenta que sugam a seiva e podem transmitir diferentes vírus às plantas de canábis. São facilmente detectáveis pois danificam as folhas com característicos pontos amarelos. Esta praga é mais comum nos cultivos de interior devido às altas temperaturas que muitas vezes ocorrem neste tipo de cultivo. Para evitar o seu desenvolvimento é importante garantir uma boa circulação de ar, especialmente na parte baixa das plantas.


 

Cochonilha

 

Com um tamanho maior que os insectos listados anteriormente, a cochonilha é facilmente visível e apesar de se poder encontrar nas folhas o seu local preferido é o tronco e ramos laterais. Agarram-se à planta como uma carraça, sugando seiva a alta velocidade e causando danos graves na planta. Gosta de ambientes quentes e húmidos. Tem uma estrutura oval com coloração cinzento claro e uma cobertura que se assemelha a algodão.


 

Agora que já sabes o básico sobre pragas, recorda sempre que o melhor ataque é a prevenção. Com esta informação e colocando em prática os conselhos aqui partilhados, podes evitar que alguma destas pragas danifique as tuas queridas plantas de canábis.

 



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